Rua Beatriz, 258 | São Paulo - SP | 11 2574.2521contato@casauba.com.br

“A experiência, a possibilidade de que algo nos aconteça ou nos toque, requer um gesto de interrupção, um gesto que é quase impossível nos tempos que correm: requer parar para pensar, parar para olhar, parar para escutar, pensar mais devagar, olhar mais devagar, e escutar mais devagar; parar para sentir, sentir mais devagar, demorar-se nos detalhes, suspender a opinião, suspender o juízo, suspender a vontade, suspender o automatismo da ação, cultivar a atenção e a delicadeza, abrir os olhos e os ouvidos, falar sobre o que nos acontece, aprender a lentidão, escutar aos outros, cultivar a arte do encontro, calar muito, ter paciência e dar-se tempo e espaço.”  LARROSA

A casa UBÁ atende grupos de crianças para que elas possam expressar-se,

aprender a se relacionar e experienciar a vida com tempo e cuidado.

Aqui as crianças inventam e investigam formas de estar umas com as outras por meio do brincar. Nos focamos na relação entre elas, e buscamos construir um sentido do coletivo. Por isso também a escolha do nome UBÁ pois é uma canoa feita de um tronco só.

 

Entendemos que, hoje em dia, há crianças que participam de diversas atividades dirigidas por adultos: natação, inglês, teatro, música, etc. Ao mesmo tempo, fala-se de adolescentes tornando-se adultos com dificuldades para fazer escolhas, ou com pouca autonomia para viverem sem seus responsáveis. Na UBÁ, as escolhas são feitas a partir das curiosidades das crianças, do grupo, do dia e da brincadeira trabalhando
a autonomia.

 

Os educadores são potencializadores dessas investigações.
A partir de registros iconográficos e escritos e com um olhar reflexivo sobre os processos vividos pelos grupos de crianças, trazendo alimento para as brincadeiras, criações e pesquisas.

Priorizamos materiais de largo alcance (ou materiais não estruturados): panos, caixotes, cordas, elásticos, bolas, potes, tábuas, pneus, sementes, terra, areia, água, tinta, sucata e além! Grande parte da brincadeira é montar o espaço para brincar, negociar os papéis, criar. A criança alimenta sua potência criadora se, por exemplo, o carro é uma caixa ou
um arranjado de pneus; se pode ser criado por ela da forma como desejar. E assim, brincamos com o outro e não com objetos. Na UBÁ o contato é artesanal; uma ação menos automatizada e mais consciente - e por isso demorada
nos detalhes.

 

Além disso, a convivência interetária é outro aspecto importante da proposta. É na cultura de pares que uma criança ensina a outra, pois a comunicação entre elas é fluida. Afinal, uma criança sente desejo de realizar algum desafio quando vê que outra já o realiza.